domingo, 23 de setembro de 2012

Mudar, mudando, mudança


Mudar exige desapego, exige foco e perseverança...
nem sempre conseguimos manter essas posturas o tempo todo...
muitas vezes nós nos sentimos realmente sozinhos, ainda que cercados de muitas pessoas...
outras tantas vive-se um minuto por vez e o exercício de esperar pelo próximo minuto é obra de força e sabedoria.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Palavras


Uso a palavra como arma e ferramenta
Construo sonhos e saberes
E conto, cantos e encantos da vida
Desta e de outra
Palavras com perfume de flor
E cor de céu de manhã
E de tarde e de estrelas
Palavras com sabor de café
De pão quentinho
De janta de inverno
E vinho quente
De fruta madura
E suco gelado
Palavras que invento
Pra entender
E me defender
Às vezes pra atacar
E até pra machucar
Palavras que transcendem
Que não controlo
Que cuspo na cara indignado
Que atiro no peito envenenado
Que arremesso na cara atordoado
Palavras que me protegem
De palavras que me ferem
Palavras que lutam
Por aqueles que me refletem
Palavras doces por vezes
Palavras amargas, nem sempre
Palavras caladas quando convém
Palavras inquietas, quem não as tem?
Palavras que são
Que estão
Que... também!
Palavras que alimentam
Palavras que matam
Palavras que me descrevem
Que eu escrevo
Que me traduzem
Que eu transcrevo
E que me fazem herói e algoz
Vítima e rei
E não me canso de usá-las
De respeitá-las
E de amá-las
Cada uma a seu instante
Cada instante a cada uma.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Trabalho Duro


Quebra a pedra
Sua a cara
O peito aberto
Músculo marretando
Cansa o corpo
O espírito se esvai
Carrega o peso
Rasga a carne
Sangra a dor
Picareta na rocha
Nas costas o fardo
Pernas em varizes
Sustentam um ser exausto
Pinga o pranto
E chega ao topo
Olha pra trás
Fez-se o caminho
És!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Ser diferente


Piso por aqui
Na vontade de ser um eu diferente
Um eu mais ousado de bem
Um eu bem mais ousado
E ouso
Ouso dizer que bem sou
Bem teimoso com minhas verdades
Que importam a mim
Que me faço ser
Que faço o meu ser
E que, sendo, ouso e faço bem mais
Na utopia
Na prepotência
Na ingenuidade
Na insegurança
No medo
Na coragem
Faço algo diferente a cada piscar de olhos
Rezo na festa
Gargalho na missa
Bato asas na plateia
Viro pedra na dança
Sou vermelho quando amarelo
Sou verde na seca
Sou seco no molhado
Salgado na sobremesa
Inesperado
Inusitado
Refazendo-me diferente
Olhando com outras lentes
Outros filtros
Novos saberes
Paradoxo da existência
Reflexo de uma consciência
Apenas diferente.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

SAUDADE!!!!


Percorro cada pedra da encosta seca
Com meus olhos molhados
De uma esperança indefinida
Uma batida no peito que balança
Em ondas de um mar calmo
De maré baixa nos corais
Mas uma esperança verde
Da cor que falta na montanha
E sobra no horizonte que convida
Uma esperança que o vento gostoso traz
E leva...
Mas deixa um ar gostoso
Seco, é certo, mas o suficiente para que
O sol imponente e vigoroso
Deite seu vermelho raio
Aqueça meu espírito
E abrace meus pensamentos mais distantes...
Que nem essa poeira toda é capaz de macular...
Ah! Saudade!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Ponto de exclamação




Quando eu olho lá distante
No fundo de mim mesmo
No horizonte que finaliza as navegações interiores que faço
O que encontro ou encontrarei
Jamais sonharei encontrar
Meu barco cairá num vazio
Ou continuarei seguindo infinitamente
Reto, sem atalhos nem curvas desvios
Movimento único, monótono e determinado a seguir
Ainda que não se sabe para onde ou o motivo
Até que me depare com uma ilha de sentimentos
Um continente de emoções
Ou uma pedra de lembranças perdidas neste oceano imaginário
Nesse momento
Fragmento de jornada
Paro!
Continuo brevemente o meu espanto
Meu susto!!
Minha alegria!!!
E exclamo minha vida!!!!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Ponto de interrogação...


Cruzo o olhar com uma lembrança
Vindo sutil e inesperada
Do nada e com tudo que poderia ser
Contudo, discreta, perpétua, ali
Parvo, calo e observo
Admiro até, inconscientemente passar por mim
Recordação forte, muda em mim, paz e turbilhão
Firme e forte nas raízes que me conduzem
Alimento e vida
Foi-se simplesmente?
Determinada a “apenas” me balançar carne e alma
Não é mais, acabou
Sem me explicar razões e porquês
Nem contribuir para que o dia continue
Me deixou delgado no sentir
Contorcionando pensamentos confusos
Retorcidos e curvilíneos?
Findados e fragmentado em ponto?
Lido como uma interrogação...