terça-feira, 28 de agosto de 2012

INVERNO






Acho graça quando me dizem inverno é
Inverno, como conheço, faz tremer as carnes
E buscar cobertas e abraços românticos
E vinho quente e tudo mais que não sei mais...
Debocho deste novo conceito de inverno
Que busca o vento, a brisa do mar
Para entender que a vida vai bem além do sol escaldante
Inverno de entrelaços corporais fervorosos
Mas suados ao extremo
Inverno de vinho gelado, e cerveja e água de côco
E de sorvete escorrendo no cantinho da boca
Pedindo beijo gelado
Inverno, rio a me acabar, só nos corações
Dos que não amam, e nem sabem que o amor é quente
Só no gelo dos corações que não estão aqui vivendo
E sentindo o calor desse inverno de ideias latentes
Projetos contentes
Esperando o verão mais que quente
Para poderem florescer!

sábado, 25 de agosto de 2012

Olhando pro alto...


Esse velho telhado de palha que me olha na fresta das teias de aranha
Sustenta um ar artesanal e uma cultura esplêndiada que me enebria
E me faz perder-me em pensamentos e viajar
O som dos pássaros brincando felizes em um mar de palha seca
Que facilita-lhes todo o trabalho na construção de seus ninhos
O frescor que me abriga de um sol escaldante e de um dia seco
Que mais uma vez faz a bananeira dançar de um lado a outro
Driblando sua sede e seu calor
O que vejo são as ripas bem justapostas de madeira ordinária
Cuidadosamente distribuídas por toda a área e sustentando as amarrações de palha típica
Que dão a padronagem que inveja as mais famosas coleções da indústria têxtil
Rústica, âmbar e harmonicamente ladeadas uma a uma
Sujas na medida certa
Irregulares quando necessárias
E cumprindo seu papel absoluto de me trazer o conforto
Para os pensamentos
Para os sentimentos
Para minhas viagens
Para que viajes comigo!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Hã?!?


Tenho fome de entendimento
Quando a safra de explicações é quase nada
Minha barriga ronca... dói... tira o sono
Mas é seca... não chove há meses
O cenário é árido, marrom e empoeirado
Não há o menor traço de alimento para minhas dúvidas
Não há água que regue o que foi semeado
Não há terra que consiga estourar as sementes
E os pássaros rastreiam o quase nada que ainda pode haver
No mais, sol eterno, ar seco, narinas entupidas... e eu
Coberto de poeira
Deitado em campo seco
Cujas rachaduras do solo confundem-se com aquelas que desenham uma teia em minhas emoções
Poupo as lágrimas e a saliva mantendo o pouco de água que possuo
E penso que um dia aqui estarei eu deitado em vasto gramado
Fresco com as gotas da última chuva caída ontem
e que agora é miragem em mim
como aquela flor que vejo heroicamente despontar
em meio a um torrão morto de terra
iludindo-me que
apesar de tudo
ainda há vida!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Né?


Não quero nomear a tristeza
Pois culpar não resolve os fatos
Nem satisfaz outra coisa a não ser meu ego
Se tristeza sentimos
É porque precisamos confrontar em nós e por nós
Expectativas, orgulhos e egoísmos
E aquela louca megalomania de acharmos que somos deuses
E senhores das coisas e dos destinos
E se tristeza mantemos em nós
O ar cinzento e cabisbaixo que nos tira as vontades
É porque nos escondemos numa caverna de verdades imaginárias
Que criamos covardemente sme querer ver o sol
Muito menos a lua as estrelas e os amores
E se tristeza sentimos é porque negamos ao nosso espelho aquilo que eles nos expõe
E conforta-mo-nos na ignorância voluntária de não saber
E nem sequer perceber
Que se somos mesmo o centro do universo
Os problemas que nos afligem não podem estar na periferia desse sistema, né?

sábado, 18 de agosto de 2012

Chorei...





Hoje chorei as fraquezas que tenho
Que escondo até de mim
Mas não permito que sumam por completo
Até que as chore...
Chorei o que não compreendo
E me amedronta ter que lidar
Com o indefinido, implanejado
E conviver com a sombra tênue daquilo que não sei
Mas que impiedosamente me provoca
Me tira carnes e forças
E me chama de fraco...
Chorei o meu orgulho afrontado pelo verme do destino
Que é invisível
Mas bem maior e mais forte do que gostaríamos
E me tira o controle do incontrolável
Chorei a vergonha de não saber por onde terminar
O começo dos próximos planos
Nem saber se tenho planos
Nem se quero planejar algo
Ou se posso fazê-lo
Chorei uma angústia doída que me assustou
Ao ver a mim mesmo refém, entregue e inútil
Ao perceber a minha pequenez
Ao entender que não sou senhor de coisa alguma
Chorei o que ainda não sou mas gostaria de ser
O que nunca fui e percebi que me faz falta
O que sou e não me agrada nem um pouco
Mas é tudo culpa do externo... nunca minha!
Chorei o humano fraco frente ao divino gigantesco
E as mensagens não decifradas
E as mazelas entrecortadas pelo comentário nervoso das incertezas
Chorei a mim mesmo
Isto que me fiz até hoje e me faço insistentemente
Um algo que precisa de muitas melhorias para se tornar satisfatório
Chorei o meu auto controle de qualidade
O meu eu exigente sobre o produto “eu” que analisava
O meu “eu” inconformado diante do meu “eu “ insustentável...
Aquilo que não me basta e o que ainda falta para conhecer
Chorei, choramos o homem, o menino, o pai e o irmão
Em coro desafinado, soluçado, triste e sem esperanças
Um choro de perdão, de desistência, de saudade, de ingratidão
Um choro forte, molhado e escarrado
Desses que são necessários para dissolver os cânceres
Desses que nos relembram a mortalidade
E a não eternidade dos seres e das coisas
Desses que lavam a alma e nos preparam para usá-la mais um pouco
Para quê?
Até quando?
Por quê?
Chorei as perguntas e preparo-me para sorrir as respostas
Ou pelo menos gargalhar o silêncio das indagações retóricas
Que travo nesse diálogo insano e intenso com a vida!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

SERÁ?!?




Pode ser
Que eu entenda diferente
Que eu esqueça de repente
Ou que adormeça em mim
Pode ser
Que não escute os sentidos
Que me feche o pensamento
Ou que ignore apenas
Pode ser
Que desacredite
Que nem mesmo duvide
Ou que nem sequer perceba
Pode ser
Que seja analfabeto
Que não consiga ler
Ou que cego me porte
Pode ser
Que ainda não tenha entendido
Que não me tenha sido dito
Ou que nem desconfie
Pode ser
Que nada exista
Que eu tenha inventado
Ou que esteja bem na minha frente
Pode ser...
Sempre pode ser...
Pois... que seja...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O que me assusta?




O que me assusta é a forma como o mundo é conduzido.
A forma como eu conduzo o meu mundo
A forma como mudo, meu mundo, conduz...
O que me assusta é o fascínio do desconhecido
A ânsia de conhecer o que não se sabe existir
A escolha das não opções
As respostas de perguntas não formuladas
O que me assusta é o tudo que existe no vácuo
A massa molecular dos compostos não descobertos
A solução das equações algébricas de incógnitas a serem inventadas
O que me assusta está perto quando me distancio
E longe quando se aproxima
É interno se vejo ao longe
E externo quando fecho os olhos
O que me assusta dói na hora do sorriso franco
E cura feridas amargas quando os olhos se derretem em lágrimas
O que me assusta me conforta, me põe pra dormir e me acorda com saúde
E me aparece em pesadelos de bruxas e dragões, me queima o estômago e treme as pernas
O que me assusta me faz sentir mortal e mata os que me ameaçam
Me faz soberano, onipotente e imbatível, acariciando os inimigos
O que me assusta ronca, berra, geme e cutuca meus instintos e alma, lembrando-me seu poder a cada instante
E canta para mim belas canções, fazendo meu espírito qual fumaça de incenso, volátil, tênue e translúcido
O que me assusta é trovão e brisa, sol e lua, treva e luz
Por aqui e lá
O que me assusta se transfigura a cada alteração minha, de minha energia, de minha percepção e eu, plena e firmemente, passo a assustar o que me assusta, que não assusta mais!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

MEMÓRIA





A memória do ser humano é ao mesmo tempo seu maior trunfo e vilão de seus dias. Cada momento vivido, bom ou mau, cada aprendizado, cada pessoa que conhecemos, cada texto que escrevemos, as roupas que compramos, as fotos que tiramos, o cheiro das coisas, os filmes, as canções, os lugares... tudo armazenamos na memória na tentativa incessante de mantermo-nos vivos e reforçar o poder de nossa existência nesta vida. A todo instante estamos recordando, revirando nossos arquivos de memória e buscando saber mais, reviver o passado, reformá-lo, reinventando o presente, na tentativa desenfreada de alterar o futuro.

No entanto a lágrima da saudade também é a faca cortante, a lembrança tanto alegra quanto fere, a memória que temos das coisas nos faz prisioneiros de ciclos viciosos de dor, quase que desencadeados de forma masoquista, pois fomos domesticados dentro da premissa que a dor é importante e esquecer é descaso... com a vida, com as pessoas, conosco mesmos.

Fico imaginando como seria se não tivéssemos memória alguma. Será que nós construiríamos todos os dias as nossas amizades, os nossos relacionamentos amorosos, os laços de parentesco? Será que teríamos real vontade de fazer esse esforço? Sem memória não nos sentiríamos na obrigação de amar alguém pelo fato de esse alguém ocupar um espaço determinado em nossa vida social, humana, biológica. Sem memória talvez não criaríamos expectativas para com os outros, e tudo o que ocorresse seria novo, inesperado, portanto aproveitado ao máximo, ou sofrido intensamente, mas apenas no tempo devido... sem que houvesse perdurações.

A cultura religiosa talvez nos pressionasse a consciência – se é que é possível ter uma sem que tivéssemos memória – nos acusando de egoístas. No entanto, a verdadeira religiosidade humana, na qual o ser humano deve buscar seu ponto de equilíbrio em si mesmo, fazer por si, cuidar de si, teria na ausência de memória um grande alicerce para seus postulados. A cada dia teríamos que realizar o exercício de introspecção e equilíbrio interno, conhecendo-nos como se fosse sempre a primeira vez.

Conversaríamos com as pessoas buscando conhecê-las partindo do zero. Será que isso tornaria superficiais os laços entre as pessoas uma vez que não conseguiríamos aprofundarmos nossos conhecimentos dos outros? Será que conseguiríamos ser mais felizes uma vez que esqueceríamos as desavenças e tudo o mais que possa nos ter causado algum mal? Ou seria a permanência da memória uma grande forma de aprendizado na qual podemos selecionar o que nos acrescenta e podemos descartar o que nos prejudica e, assim, paramos de uma vez por todas de buscarmos culpados para todas as situações, responsabilizando apenas a nós mesmos por aquilo que queremos sofrer?

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

QUERO




Desta terra quero apenas poder usufruí-la , grão a grão, seu cheiro fecundo, plantar e colher
Cavar sulcos aqui e ali, ver a água passar desenhando rios, ouvir as pedras cantarem nas ondas e cachoeiras.
Tirar o fruto maduro, sorvê-lo, e ser pé-no-chão, livre, caminheiro errante, fascinado pela sua infinitude, extasiado pela sua grandiosidade e, humildemente, curvar-me diante de sua soberania.

Deste tempo quero apenas piscar a cada segundo, demoradamente, sem a pressa de conter os ponteiros, sem a melancolia de chorar o tempo ido, sem a ansiedade de não saber o porvir.
Fazer do sol e da lua os mestres constantes, saber do vento seu caminho mais sem direção... e seguir
Folha seca ou pena sendo conduzido por tempos soltos... e... ir
Respeitando o fluxo que me for dado... retirando apenas as expectativas pois a liberdade pressupõe o inusitado, o reflexo do sonho que não se lembra... o acorde do instrumento a ser inventado, mas os sons são belos!

De mim quero apenas o respeito supremo... Ao mundo que generosamente me acolhe... Ao tempo que sabiamente me conduz... Àqueles que pertinentemente me completam...
Respeito à força das ondas que me navegam... Ao sal do mar que me flutua... Ao mato verde que me cheira na chuva caída a terra molhada de mim...
À água, à fruta, ao pão e mais ainda à mão que enche o copo, que colhe, que sova a massa e que fazem do paradoxo terra e tempo serem fascinantes e perfeitos... ainda que eu nem sonhe em entendê-los!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

MAR VERDE DE TEUS OLHOS...


onda da praia
mole balança
barco de pesca
sol de criança
manhã nascendo
vida surgindo
manhã da praia
doce lembrança
onda batendo
pedra cantando
barco chegando
povo sorrindo
criança na praia
nasce esperança
manhã de vida
sorri para mim
moça na praia
não te esqueço
não me esquece
o doce sorriso
vem com a onda
abraça o menino
chega chegando
bem de mansinho
na beira da praia
me faz um carinho
no sol de criança
os olhos do mar
moça da praia
vem me amar
tens meu amor
em teu coração
onda de flor
criança vivendo
moça dengosa
te pego no colo
tens meu sorriso
sorrindo mansinho
deitada na praia
de olhos fechados
te beijo na boca
me dá um sorriso
moça pequena
quietinho te digo
és minha sereia
seria da praia
de dentro de mim!

domingo, 5 de agosto de 2012

CARNAVAL!!!!


Nem tamborim, nem reco-reco
O ritmo deste carnaval não tem a cadência das calorosas batucadas
Desfila a cor de um povo que reaprende a sorrir
O que bate, são corações, pois agora podem
Não são fantasiados, são eles mesmos
Coloridos de suas crenças
No estandarte, a liberdade
Seria real? Seria eterna?
A brincadeira é verdadeira
Os confetes e as serpentinas dão lugar a palmas comportadas
Aplausos com um orgulho daqueles que se expõe alegres
São aplausos para uma alegria sem medo
Sem medo de felicidade
Agora sim
Um motivo para comemorar
que a festa sem sentido despreza
Na dança das flâmulas coloridas
Nas músicas poliglotas em uníssono
No olhar esperança daquela criança
Que reflete-se no olhar do senhor e da senhora
com a cara marcada pelo tempo
E o sentimento, pela dor
Em cada fração de segundo daquela existência
Havia algum carnaval
Que só o sol nascente do futuro
Desenhará no céu destes de cá
Os quesitos que merecerão
Notas máximas!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

CRESCER DÓI......


Crescer dói na gente as coisas que não queremos largar
Dói quando o sorriso da criança
Chora a criança adulta que chega
Da infância que madura a vida
Na sabedoria de algo que não era
Do  falar grosso que antes era só cantar
Dói porque sentir é bem assim
Vem num de repente tão imenso ... mas tão intenso
Que segura na mão e leva
E puxa e torce e rodopia
E estica o máximo... e mais ainda
E pronto já está crescido!!
Doído de um jeito retorcido
Que o sorriso do menino no braço do guerreiro
Busca proteção e alegria
Que  na defesa dos sorrisos de tantos
Crescendo por aí desavisados
Encontram na dor do crescido alheio
O alívio de seu próprio crescer!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

DO OUTRO LADO...


Do outro lado
Do mundo da moeda cruel metal
Dividindo pessoas em coisas
Pedras nada preciosas
Jogadas nos olhos da cara
Dos caras e máscaras
caras-metade de ninguém
e migalhas de restos de uma fartura falsa
enchem os pratos bolsos e medos
esvaziam os sonhos
mas o sorriso fica
nervoso?
De angústia?
Sincero?
Joga a Monalisa no lixo que Da Vinci deixou aqui seu pincel arteiro
Decifra-lhes ou te devoram
Vociferam
E votam na esperança
De uma força que curem-lhes a cicatriz
Que deixamos a cada dia
Deste lado
Do mundo
Da moeda
Da vida
De tudo!