segunda-feira, 15 de abril de 2013

Amor... amores !?!




O amor pode ser eterno
Os amores não!
O amor constrói os castelos internos
Os amores os habitam por um tempo
O amor permite as pontes que ligam
Os amores passam por elas com segurança
O amor sustenta as cascatas em pedras
Os amores descem em águas revoltas
O amor fornece sombra, galhos, sustento
Os amores pousam, fazem ninhos e... voam
O amor reúne nutrientes para a planta florescer
Os amores germinam, crescem, frutificam e... são colhidos
O amor sustenta cada uma das palavras do poema
As desenha e entrelaça
E as imprime nos versos...
Os amores as leem!

sábado, 13 de abril de 2013

Construção




Sou eu quem faço
Meu caminho no mundo
Tal qual doce vagabundo
Tortuoso e provisório
Sou eu quem demarco
Meus campos de semeio
Fracamente adornado
Com capim de cheiro e flor
Sou eu quem ponho em pé
Minha casa e celeiro
Cor da terra, para o sol
Tosca e firme, e quente e fresca
Sou eu quem toca a música
Letra e som na beirada da porteira
Na minha tristeza ou alegria
Em fartura ou penúria, só ou não
E as mudanças que fiz
Com a árvore cortada, e capim arrancado
Com a terra cultivada e o som jogado no ar
Não são posse
São poemas...
... não meus!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Colorido

Um colorido diferente
que pinta do outro lado
e quando penso em mudar de lado
o colorido muda comigo
colore bem forte o sol
que nasce pertinho de mim
e lá onde ele descansa
longe desse agora
colorindo em outros tons.
É o mesmo sol
Sou o mesmo eu
São as mesmas cores
Mas o colorido é diferente!
É como se o Deus de cá fosse canhoto
E o de lá, destro!
Pegam o pincel com a mão trocada
E misturam de outra forma
As cores de um mesmo céu
Mas o colorido de agora
Nem de perto se parece
Com aquele que já foi meu.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Além da linha do horizonte...


Eu costumava dizer
Que tinha raízes
Que planta eu era
Em solo já adubado.
Eu costumava dizer
Não conseguir coisas
Temer outras tantas
E acreditar nessas verdades.
Eu costumava entender
E saber e crê e ver
E dizer o que pensava ser
Sem sequer perceber.
Eu costumava trabalhar
Escravo de um tempo
De um espaço duvidoso
De propósitos frágeis.
Eu costumava parecer
Mais um em muitos
Sem o que mais aprecio
Na liberdade que tanto mereço.
Eu costumava não ir
Para não ter que retornar
E não me assustar com as mudanças
E não querer mais ficar.
O que eu não costumava era
Deixar de sentir
Uma vontade incontrolável de procurar
Por quê?
O quê?
Se o regresso fosse uma resposta
Já teria sido afogado nas perguntas que trago de volta
Misturadas às que guardo ainda comigo.