Eu costumava dizer
Que tinha raízes
Que planta eu era
Em solo já adubado.
Eu costumava dizer
Não conseguir coisas
Temer outras tantas
E acreditar nessas verdades.
Eu costumava entender
E saber e crê e ver
E dizer o que pensava ser
Sem sequer perceber.
Eu costumava trabalhar
Escravo de um tempo
De um espaço duvidoso
De propósitos frágeis.
Eu costumava parecer
Mais um em muitos
Sem o que mais aprecio
Na liberdade que tanto mereço.
Eu costumava não ir
Para não ter que retornar
E não me assustar com as mudanças
E não querer mais ficar.
O que eu não costumava era
Deixar de sentir
Uma vontade incontrolável de procurar
Por quê?
O quê?
Se o regresso fosse uma resposta
Já teria sido afogado nas perguntas que trago de volta
Misturadas às que guardo ainda comigo.
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