Tenho fome de entendimento
Quando a safra de explicações é quase nada
Minha barriga ronca... dói... tira o sono
Mas é seca... não chove há meses
O cenário é árido, marrom e empoeirado
Não há o menor traço de alimento para minhas dúvidas
Não há água que regue o que foi semeado
Não há terra que consiga estourar as sementes
E os pássaros rastreiam o quase nada que ainda pode haver
No mais, sol eterno, ar seco, narinas entupidas... e eu
Coberto de poeira
Deitado em campo seco
Cujas rachaduras do solo confundem-se com aquelas que
desenham uma teia em minhas emoções
Poupo as lágrimas e a saliva mantendo o pouco de água que
possuo
E penso que um dia aqui estarei eu deitado em vasto gramado
Fresco com as gotas da última chuva caída ontem
e que agora é miragem em mim
como aquela flor que vejo heroicamente despontar
em meio a um torrão morto de terra
iludindo-me que
apesar de tudo
ainda há vida!
Nenhum comentário:
Postar um comentário