Desta terra quero apenas poder usufruí-la , grão a grão, seu
cheiro fecundo, plantar e colher
Cavar sulcos aqui e ali, ver a água passar desenhando rios,
ouvir as pedras cantarem nas ondas e cachoeiras.
Tirar o fruto maduro, sorvê-lo, e ser pé-no-chão, livre,
caminheiro errante, fascinado pela sua infinitude, extasiado pela sua
grandiosidade e, humildemente, curvar-me diante de sua soberania.
Deste tempo quero apenas piscar a cada segundo,
demoradamente, sem a pressa de conter os ponteiros, sem a melancolia de chorar
o tempo ido, sem a ansiedade de não saber o porvir.
Fazer do sol e da lua os mestres constantes, saber do vento
seu caminho mais sem direção... e seguir
Folha seca ou pena sendo conduzido por tempos soltos... e...
ir
Respeitando o fluxo que me for dado... retirando apenas as
expectativas pois a liberdade pressupõe o inusitado, o reflexo do sonho que não
se lembra... o acorde do instrumento a ser inventado, mas os sons são belos!
De mim quero apenas o respeito supremo... Ao mundo que generosamente
me acolhe... Ao tempo que sabiamente me conduz... Àqueles que pertinentemente
me completam...
Respeito à força das ondas que me navegam... Ao sal do mar
que me flutua... Ao mato verde que me cheira na chuva caída a terra molhada de
mim...
À água, à fruta, ao pão e mais ainda à mão que enche o copo,
que colhe, que sova a massa e que fazem do paradoxo terra e tempo serem
fascinantes e perfeitos... ainda que eu nem sonhe em entendê-los!

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